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20/03/2013

Cansada de tudo, e de todos.


Ela estava cansada, mas não era apenas cansada da vida, era cansada do mundo e do universo. Fazia tudo e nada ao mesmo tempo. Uma voz dizia pra ela desistir de tudo aquilo, que no final seriam apenas tempos gastos. Mas ela insistia em continuar aquele pesadelo. Não tinha tempo para nem se quer levantar da cama depois de 2 horas dormindo. Comer? Ela não conseguia, estava com a cabeça em outro lugar, pensando em como iria terminar o trabalho de Geografia ou quando iria começar aquela chata tarefa de História. Não dormia nas aulas, afinal nem se quer o ano se iniciou, e 4 bimestres de provas estavam por vir.
A vida dela não estava fácil. Para os outros, quando ela dizia todos seus compromissos, recebia apenas um "hm, você da um jeito". Como se aquilo nunca tivesse machucado, como se não tivesse sido algo que a fizesse chorar. O tempo só passava e fazia tempos que ela não dormia.
Todos os dias lágrimas corriam pelo rosto daquela menina. Ela pensava como que iria administrar a vida. A escola não ensinou nada disso. Já estava com vontade de brigar com todos, e ir para um mundo diferente daquele que vivia. Ela sabia que dali pra frente, as coisas só iriam piorar.
Depois de muitas tarefas concluídas, e muitos trabalhos apresentados conseguiu finalmente uma noite de sono. Uma noite. 10 horas seguidas sem nada para atrapalhar. Ela apenas deitou em sua cama, fechou os olhos, e dormiu até não conseguir mais.
Ela apagou, foi pra onde tanto queria... O paraíso.
Juliana Orihuela

06/02/2013

Apenas na minha



Eu sentei, estava na minha. Cuidando da minha vida, sem perceber que tinham muitas pessoas em minha volta. Fiquei ali, parada no banco, imaginando como seria se a minha vida fosse uma das melhores do mundo. Sim, nós sempre falamos que temos a melhor vida que alguém poderia ter, compartilhando aquelas fotos do Facebook. Mas, não. A minha vida definitivamente não é uma das melhores. Não sei e também nem quero saber quem é a pessoa sortuda.
Diziam estar preocupados com minhas ações de ultimamente. E eu me perguntei: “Que ações? Sentar no banco e ficar ouvindo música? Me trancar no quarto e tentar dormir? Hum”
Eu não queria mais fazer nada, tudo era sinônimo de cansaço, dor nas pernas e brigas. Eu estava com raiva. Achei que o remédio que tomei de manhã me fez ficar assim, por que escutei alguém dizer que aquele medicamento fazia a pessoa ficar irritada. Mas não era. Tinha uma coisa vazia dentro de mim e não era a barriga. Estava faltando algo e eu não sabia o que.
Desliguei meu celular sem ao menos dizer “tchau” e sim, foi de propósito.  Não queria ninguém me perguntando o que tinha acontecido. Deitei em minha cama, fechei os olhos e tentei ser a “Bela Adormecida”. Mas algo me impedia de deixar o celular em paz. Eu ligava ele toda hora, querendo saber se alguém tinha falado comigo, mas não respondia. Tentei novamente. Olhei pro teto e vagamente meus olhos iam fechando. Do mundo eu estava sendo desligada. “Dormiu Juliana?” e nada mais se ouviu.
Juliana Orihuela

30/01/2013

Dia de tristeza


Eu arrecém tinha acordado, sento no sofá da sala e recebo a notícia da qual muitos estão cansados de ouvir “Tragédia em Santa Maria”. Eu sem saber o que realmente tinha acontecido, nem ligo, afinal, todo dia tem algo de ruim acontecendo no Brasil. 
Já estava com raiva de todos falando disso, 150 mortos, 200 mortos, 233 mortos e depois cai para 231. “Que saco!” dizia eu. Realmente não agüentava mais. Quis aprofundar nesse assunto para saber cada coisa que tinha ocorrido naquela madrugada. Nenhuma lágrima caiu, não tive sentimentos profundos. Mas ao ver o poema de um certo alguém nos comentários de uma pagina do Facebook, pequenas quantidades de água escorregavam pelo meu rosto. 
Recebia imagens por um aplicativo do celular mostrando depoimentos de vítimas e familiares das vítimas. Confesso que chorei, por que imaginei acontecendo comigo. 
Hoje (28) fui procurar na internet aquele mesmo poema que tinha me tocado profundamente para mostrar à minha avó. Achei dois lindos textos. Quem me conhece bastante não acredita, mas eu lia segurando o choro. 
O que realmente me tocou foi saber de um sms que chegou do namorado para a menina, dizendo que não iria conseguir sair do local e falou que à amava. Meu coração ficou apertado por bastante tempo, e imaginei aquilo comigo! Penso como aquela guria está agora. Como a vida dela vai ser daqui pra frente. O colorido do dia dela não vai existir mais, disso eu tenho certeza.
Não vou desejar o mal para todos os “idiotas” que zoaram com os mortos e os familiares. Mas também não quero o bem. Não irei pedir para que “Deus” ajude cada família, nem para que alma dos jovens seja abençoada. Apenas que todos fiquem bem. Para quê pedir a um “alguém” ajudar, sendo que VOCÊ pode?

            Juliana Orihuela

23/01/2013

Caixa de Lembranças


Aquela caixa era algo a mais, não era apenas uma simples coisa de papelão com formado retangular. Ali estavam guardadas as mais lindas lembranças, as cartas e bilhetes com as mais bonitas palavras. Desde o famoso “Vamos ao cinema esse sábado?” até o forte “Eu te amo, amiga”. Quem nunca recebeu algo do tipo que atire a primeira pedra. 
Ela chorava toda vez que lia aqueles papeizinhos. O principal motivo daquelas lágrimas era de saber que uns que disseram “nunca irei te deixar, camarada” foram embora sem mais nem menos.
Em cada palavrinha tinha por trás muito carinho dado a cada dia que se passou, cada briga, desentendimento e os alegres dias.
Ela olhou um pouco mais aquela caixa, e achou um pedaço de borracha. Para muitos não é nada, mas para ela era algo mais que especial. Foi exatamente o dia em que sua maior companheira, sua grande paixão, um ídolo. A deixou para trás. Aquela grande amiga, disse adeus e se afastou do mundo. Deu para ela aquele pedacinho de goma e disse que nem aquilo poderia apagar toda a história que elas tiveram juntas.
Eu particularmente teria chorado, não mais que ela, mas teria. Ao longo do tempo muitos vão nos deixando e depois o contato que tínhamos com eles não existem mais. Mas tudo bem, uns vão e outros vêm.

Juliana Orihuela

19/01/2013

Companheiro da solidão


Eram apenas papéis em cima da escrivaninha, ao lado alguns lápis e canetas, nenhuma borracha. Pensava ela como iria apagar todos aqueles “desenhos” feitos nas horas em que não tinha outra coisa para passar o tempo.
Todas aquelas vezes que se sentia sozinha ela desenhava, e quando estava com raiva também. Tudo era motivo para usar uma folha de papel até o espaço acabar.
Lembra da vez em que estava na escola, sentada em sua carteira esperando algo de diferente acontecer. Mas como todas as vezes nada tinha mudado, sempre as mesmas coisas, mesmas brincadeirinhas sem graça. Pegou o seu caderno, foi direto na ultima matéria onde todos os “segredos” estavam, mas ninguém conseguiria decifrar “aquela coisa” que desenhava nas folhas. Começou, e a partir daí se desligou da realidade, nada poderia atrapalhar o seu mundo trancado com um cadeado. 
Depois de toda aquela viagem no tempo, ela volta a usar seu lápis preto que está quase indo embora.
A vida da menina era apenas uma bagunça, não tinha nada organizado e sempre fazia as coisas correndo depois de levar uma breve bronca por não ser responsável. Aqueles papéis iam voando por todo o quarto quando o ventilador era ligado, e para juntar todos dava um trabalho danado.
Mas o que até ontem ninguém sabia, é que esses desenhos não tinham uma forma exata, eram apenas rabiscos. Riscos feitos em uma folha branquinha de caderno. E como a minha avó diz “Mais uma árvore sendo jogada fora”.

Juliana Orihuela



16/01/2013

Nervosismo de uma doce adolecente


Estava ela sentada na cama, naquela noite fria escutando uma música que tinha tudo a ver com o momento, tirando seus anéis que apertavam os dedos, deitou-se. Cansada de tudo e de todos. Estava sendo criticada a cada minuto que passava, e isso não estava mais sendo suportável. Sem querer brigar com ninguém arranja uma forma de desabafar, o que nada adianta afinal sua raiva está aumentando cada vez mais. Pensa em desistir de tudo afinal sua presença não serve mais para ninguém. Está simplesmente sozinha, e querendo estar sozinha. Não quer ninguém por perto para deixá-la feliz, mas não sabe que precisa disso.
Sendo sufocada pelo mundo levanta e vai até a cozinha procurar algo para beber, volta triste por perceber que nada esta agradando. 
A música já enjoou e o celular está pedindo para ser quebrado, o frio está aumentando e o coração está bastante apertado. A roupa toda folgada que usa para dormir está incomodando, e ela começa a rasgá-la. Nervosismo, raiva, ansiedade, não se sabe o que ela estava sentindo na hora, mas nada iria fazer com que ela parasse.
Depois de alguns minutos chorando, a jovem se acalma e resolve dormir.
Penso eu se ela queria meu ombro amigo naquele instante. As horas e horas de estresse sempre chegam quando você está infinitamente cansada e mil e umas pessoas estão te enchendo de coisas. Todos nós já passamos ou iremos passar por esse “amável” momento. Mas que tal um copo com água pra se acalmar?

Juliana Orihuela



13/01/2013

Alegre tarde de tristeza



Era uma tarde quase noite, depois de pintar minha unha e assistir minha novela preferida, como a maioria das outras meninas da minha idade. A ansiedade de muita coisa criou a raiva e o estresse, nada e ninguém poderia me deixar com mais ódio. Cada voz, cada música, cada mensagem no telefone, me fazia ficar furiosa. Me tranquei no quarto, assim nenhuma pessoa poderia me irritar. Muito que a chave da porta resolve, quando se tem um número de celular que está adicionado em vários grupos de um aplicativo. 
Me levantei da doce e quente cama que estava me aguentando  Me dirigi até a porta, destranquei, e fui direto à cozinha pegar um copo com água bem gelada e cubos de gelo para acompanhar, aliás, isso sempre me acalmou, não era agora que essa deliciosa bebida iria me deixar para trás.
Voltei para o meu quarto, abri a janela e observei a parede da casa de trás, “poderia ter uma vista melhor” pensei. Imaginei um lindo jardim de flores, depois a imagem automaticamente passa para um show onde muitos pulavam e acompanhavam a banda. Aonde minha imaginação foi parar? 
Sentei em meu banquinho e desenhei coisas que nem eu mesma sei, só para tentar ficar alegre. Minutos se passaram e só apareciam rabiscos e nada mais, nem casas, ou florzinhas, corações, somente rabiscos. Lá se foi uma parte da minha vida jogada fora, e um papel indo para o lixo. 
Cansei daquela vida de desenhista, deitei em minha cama e imaginei coisas até cair no sono. 
Mais uma tarde de estresse vai embora convidando suas amigas para me visitar no outro dia, mas tudo bem, vou respeitar o meu destino. 





Juliana Orihuela

10/01/2013

Coleção de roupas pretas


Algumas nem uso, outras de vez em quando e poucas uso sempre. Jogadas no armário, tantas fora do cabide e esquecidas lá no fundo. Tenho a impressão de que a minha coleção cresce cada vez mais, e sem ao menos eu perceber, estão mil e umas camisetas sem apenas uma utilização.
Alguns dizem que nunca sabem quando eu tenho uma roupa nova, mas será que não percebem os detalhes delas? Alguns desenhos? Sei lá, mais comprida e mais larga, antes de falar deviam prestar mais atenção, não sei.
Faz bastante tempo e não sei dizer ao certo o dia o mês e o ano. Também não foi de uma hora pra outra pra dizer a verdade. Foi somente a época em que todo o colorido e principalmente o rosa da minha vida, deviam ser retirados rapidamente antes que eu tivesse um ataque. Desesperada queria que até o cachorro rasgasse aquelas roupas “horrivelmente ridículas” para que o processo fosse mais rápido.
Neste momento penso se aquela princesinha realmente foi toda embora, ou se existe um pedaço dela aqui ainda. Se alguém ficou desapontado com a minha mudança. E se um dia eu vou voltar a ser aquela menininha de antes, que parecia a pantera cor de rosa e vivia feliz em um castelo imaginário cheio de glitter. Será que é apenas mais um momento passageiro? Não tem problema, e que venham muitos outros.

Juliana Orihuela




06/01/2013

Seriam mesmo inseparáveis?


E lá estava ela, sentada no fundo da sala sem mais ninguém pra conversar além de seu doce mini cãozinho de pelúcia, que sempre guardava na mochila. Lembra como se fosse ontem da época em que se separou de suas amigas, uma triste lembrança que guardará pra sempre na memória. Era um grupo de 5 amigas que se diziam inseparáveis, tinham milhares de fotos e andavam por ai de “mãos dadas”. Nas apresentações de trabalhos não tinha para ninguém, sempre tiravam 10, pois eram estudiosas e sabiam se expressar diferentemente dos componentes de outros grupos. As tardes de “fofocas” eram as melhores, pois ali se sentiam completas e sabiam que poderiam sempre contar umas com as outras, independentemente do assunto falado. Sempre tinham os desentendimentos, mas no final tudo voltava a ser da maneira que era antes, como se nada houvesse acontecido.
Meses se passaram e as brigas foram ficando constantes, nem desculpas adiantavam mais. Ficavam de mal por dois ou três dias, até que uma se cansou e falou tudo o que passou pela cabeça, humilhou as meninas na frente de toda a classe e mostrou que não agüentava mais, disse que não queria mais olhar para a cara delas, pois de uns tempos atrás estava sendo a mais ignorada e esquecida das 5. Ela foi sendo deixada para trás não somente pelas antigas amigas, mas pela maioria das pessoas do colégio onde estudava. Estava com a consciência pesada, pois sabia que tinha deixado as meninas mais tristes e desapontadas, mas por outro lado estava bem, já que tinha desabafado e soltado tudo o que lhe prendia.
E hoje eu me pergunto se um dia irão voltar a ser como eram antes. Mas nas vezes em que pensei sobre isso, achei que não, pois tudo acabou em um estalar de dedos, e as mágoas devem estar no coração partido de cada uma delas, sem uma conversa de consolação, e sem um “eu te perdôo, amiga”.

Juliana Orihuela